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Domingo, 26 de Novembro de 2006
Dôr
É imensamente mais fácil falarmos das dores dos outros. É simples sermos racionais e directos. Sermos calculistas e pensarmos qual a melhor palavra, como colocarmos os braços, como olharmos. é facil prevermos o momento certo em que colocamos a nossa mão no ombro de quem sofre, de forma a que sinta o carinho certo no momento certo.

Hoje falo-vos sem essa preparação. Hoje falo sem premeditação. Pelo primeira vez escrevo de improviso. Sobre um dos temas mais abrangentes que podem haver: a dôr. E escrevo isto com lágrimas nos olhos porque me doi.

Hoje perdi o meu pai. Perdi-o para a doença mais estúpida que existe. Sempre o vi forte como um tronco daquelas árvores seculares que nos habituamos a ver nos jardins. Com mãos fortes capazes de derrubar qualquer muro. Hoje vi-o fraco, magro, vencido. Levado por um tumor que em 3 meses retirou dele a lúz e o brilho que sempre teve.

Hoje perdi o meu pai. Quem eu olhava e admirava. Um homem humilde, justo, reservado. Nunca foi dado a burburinhos nem especulações. Um homem que fez vida a malhar ferro e a segurar um maçarico, quente como as próprias entranhas da terra. Aprendeu a moldar o ferro e a construir coisas monumentais. Era um, apenas um, entre milhares, numa qualquer oficina da Lisnave. Mas era o meu pai.

Nunca lhe disse que tinha orgulho nele, mas ele sabia que eu tinha. Mas ficou por dizer, é um facto. E agora, de lagrimas a escorrer, só peço que um dia ele me tenha ouvido. E, acima de tudo, onde quer que ele esteja, espero que um dia ele tenha orgulho de mim.

Hoje perdi-te Pai, mas vais estar sempre vivo dentro de mim. Aqui dentro, nunca te deixarei morrer. Isso juro-te. Até sempre
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publicado por Zen às 20:04
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7 comentários:
De Por Vezes Solitaria a 26 de Novembro de 2006 às 23:55
Olá!
quero dar-lhe os meus pêsamos, e dizer qke o seu pai ouvi-la de certeza e que vai estar sempre a olhar por si.
beijinho
De Love and Devotion a 27 de Novembro de 2006 às 10:05
Infelizmente sei exactamente o que estás a sentir, porque vai fazer 1 ano no próximo dia 8 de Dezembro que o meu pai faleceu com essa mesma doença, essa doença cruel que deveria ser reservada para aqueles que a realmente a merecem, como por exemplo assassinos, violadores, e por aí fora. Mas infelizmente é uma doença cega. Muitas vezes, quase todos os dias, ou mesmo todos, lembro-me do meu pai a definhar naquela cama de hospital sem saber o que lhe esperava: a morte! Sim, porque só soubemos o que ele tinha efectivamente uma semana antes de morrer. Não sei se chegou a saber do que padecia, porque não lhe contamos. Penso que foi melhor assim: saber o que se passava efectivamente, só iria aumentar o seu sofrimento insondável… às vezes é melhor vivermos na ignorância, porque o mal, esse, um dia virá, quer queiramos, quer não. Para mim é um inferno pensar no assunto, no sofrimento, na dor que passou… não imagino. Aparentemente era uma pessoa saudável, nunca teve nenhuma doença relevante, parecia invencível… no entanto caiu por terra em pouco tempo. Somos tão frágeis, somos nada e quase sempre esquecemo-nos desse pormenor importantíssimo nas atitudes que temos na vida, para com os outros… para connosco mesmos. Enfim… poderia ficar aqui a dissertar tempo sem conta, mas nada do que se diga devolve-nos aqueles que partem para a eternidade. Sinto muito por ti… sinto muito por mim.
De Anónimo a 27 de Novembro de 2006 às 12:04
Infelizmente, sei o que sente e do que fala...
Também já perdi minha MÃE e meu PAI! meus melhores AMIGOS e companheiros...

Como dói esta mutilação...

Nunca fomos preparados para a perda, a mim...doem-me todas as perdas. Não há remédios nem conselhos para esta terapia.

Viva a memória de seu "PAI", como melhor souber e puder, mantenha-o "VIVO" na sua memória nos seus gestos e no seu quotidiano, em nome da famália e de si mesma...

Seja no credo religioso, seja na sua profissão ou no seu momento de intimo prazer, deixe que a alegria e o amor não percam a expontâneidade e assumam a razão porque o "SEU PAI", lhe deu tudo o que podia provavelmente...para a fazer assim...um ser que sabe o que significa "AMAR", porque não ficam dúvidas depois de a ler, que esse amor era recíproco... AUTÊNTICO e INCONFUNDÍVEL...

Eu... ainda hoje amo muito os meus pais que já não estão comigo físicamente, um há 14 anos e outro há 5.

Que as nossas memórias se reconfortem no seu eterno descanso.

AS MINHAS MAIS SENTIDAS CONDOLÊNCIAS...
ÂNIMO!

Trin
De taty a 27 de Novembro de 2006 às 14:08
ta muito fixe...
continua a escrever no blog.
bjinhus grandes
se kiseres ja agr passa no meu:
http://miandtatymagination.blogspot.com/
De Shanna a 27 de Novembro de 2006 às 17:16
Quero deixar-te aqui uma palavra de conforto,este momento para ti deve ser horrivel,mas a melhor maneira de o homenageares é mante-lo sempre vivo no teu coração e ele sabe que o admiras!um beijinho e muita força.
De Elsa Robalo a 28 de Dezembro de 2006 às 16:53
Eu perdia minha mãe há 6 meses. Sei o que é essa dor... uma ausência... um vazio. Força!
De Carlinha a 26 de Janeiro de 2010 às 23:08
Faz hoje 3 anos que perdi a minha mãe para essa mesma terrível doença. Sinto-me triste e angustiada. Gostei muito deste seu post e de todo o blog. Confortou-me lê-lo porque me identifico com muitos dos seus textos. Parabéns.

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